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Balanço da Greve Geral de 11 de Dezembro
Portugal

Balanço da Greve Geral de 11 de Dezembro

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STCC

A Greve Geral de 11 de dezembro de 2025 constituiu uma resposta direta, clara  e contundente da classe trabalhadora ao novo pacote laboral e às políticas do governo PSD/CDS de Montenegro, que visam aprofundar a precarização, reduzir direitos e aumentar o lucro dos patrões à custa do aumento da exploração. Esta ação demonstrou o potencial de mobilização em setores estratégicos do país, com impacto significativo no sector público, transportes, saúde e educação, assim como em vários focos no setor privado.

No sector dos call centers, a Greve Geral revelou de forma clara que onde existe organização sindical, os trabalhadores conseguem gerar impactos concretos sobre a operação das empresas. Apesar de algumas empresas terem registado pouca ou nenhuma perturbação — 10% das empresas não sofreu qualquer impacto e 47,5% apenas registou efeitos limitados —, uma proporção significativa das operações foi diretamente afetada. Cerca de 40% das empresas registaram interrupção parcial do serviço, e 2,5% enfrentaram interrupção total.

Estes impactos repercutiram-se de forma prática na gestão e na operação diária: em 65,7% das empresas verificou-se um aumento direto do tempo de espera dos clientes, em 37,5% os supervisores tiveram de cobrir tarefas de operação e, em 40% das situações, as empresas recorreram ao reencaminhamento de chamadas para equipas externas ou para outros países.

A análise destes dados evidencia que a organização sindical é determinante para transformar a greve num instrumento real de pressão, obrigando as empresas a enfrentar consequências concretas, mesmo em contextos de elevada fragmentação e dispersão do trabalho. O efeito não se limita a números: demonstra que, quando os trabalhadores se mobilizam coletivamente, podem interromper processos e afetar diretamente a operação das empresas, reforçando a importância de consolidar estruturas sindicais fortes no sector. Mesmo em empresas com organização ainda insuficiente, e num ambiente de muito assédio e pressão, a greve gerou pressão concreta sobre o patronato, mostrando que a luta coletiva é a principal ferramenta de resistência.

O STCC sublinha que a greve de 11 de dezembro não é um fim em si mesma, mas o primeiro passo na luta contra o novo pacote laboral e contra as políticas deste governo, que procuram impor maior exploração e precariedade, reduzindo direitos conquistados com décadas de luta. É absolutamente fundamental fortalecer a sindicalização, organizar os trabalhadores e levar a luta para a rua, enfrentando o patronato e o Estado, que insistem em negociar até onde podem reverter a legislação laboral a favor do capital.

A greve geral demonstrou que, quando os trabalhadores se organizam e se unem em torno de objetivos claros, podem gerar impactos concretos sobre a produção e os serviços, obrigando patrões e governo a reconhecer a força da classe trabalhadora. O caminho à frente exige mobilização permanente e luta coletiva, construindo resistência e solidariedade para que este pacote laboral não passe e para que se conquistem direitos duradouros para todos os trabalhadores.

Sindicato dos Trabalhadores de Call Center, membro da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas

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Mensagem enviada antes da greve

Os trabalhadores e trabalhadoras de Portugal estão diante de um dos mais graves ataques aos direitos laborais em décadas.

O governo de direita liderado por Luís Montenegro apresentou um pacote com mais de 100 alterações à legislação trabalhista, um conjunto de medidas que, na prática, desmonta garantias históricas e aprofunda a exploração no local de trabalho.

Entre as propostas mais graves estão:

  • Generalização do banco de horas individual, sem negociação coletiva, ampliando a jornada e entregando o controle dos horários às empresas;
  • Restrição a direitos parentais e mais obstáculos para conciliar trabalho, vida social e familiar;
  • Facilitação das demissões, permitindo que empresas impeçam a reintegração mesmo quando a demissão for considerada ilegal;
  • Aumento da precarização, incentivando terceirizações e subcontratações para substituir trabalhadores com mais direitos por mão de obra mais vulnerável e pior remunerada;
  • Fim da negociação coletiva;
  • Restrições ao direito de greve e ao exercício sindical nos locais de trabalho

Diante desse ataque frontal, as duas principais centrais sindicais do país — CGTP e UGT — convocaram uma Greve Geral para o dia 11 de dezembro, algo que não acontecia há mais de uma década. Diversos sindicatos independentes (STAS, STCC, ...) somaram-se à mobilização, assim como movimentos sociais como o Movimento por Habitação Digna e coletivos de solidariedade ao povo palestino.


Este é um momento decisivo. O que está em curso em Portugal dialoga diretamente com processos que, em várias partes do mundo, buscam desmontar direitos, enfraquecer a organização coletiva e ampliar a exploração. Por isso, a solidariedade internacional é não apenas necessária, mas urgente.


Confira o modelo de moção [AQUI].

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