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Demissões em massa na Dodoplast causam protestos na zona franca do Togo
Togo

Demissões em massa na Dodoplast causam protestos na zona franca do Togo

Cerca de 330 desligamentos desencadearam manifestações e trouxeram à tona questões trabalhistas no setor

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Na zona franca do Togo, cerca de 330 trabalhadores togoleses estão enfrentando uma crise que abala suas vidas e coloca em evidência as condições precárias da categoria na região. A renomada empresa Dodoplast, dedicada ao setor industrial, anunciou demissões em massa, justificando-as como uma medida econômica. No entanto, as alegações do diretor da empresa, Huissein Meteirek, estão sendo contestadas pelos trabalhadores e seus representantes sindicais.

A situação começou a se agravar após uma licença coletiva de mais de oito meses devido à falta de matéria-prima, o que já gerou dificuldades financeiras para os trabalhadores. Agora, sem aviso prévio ou consideração pelos esforços e dedicação dos funcionários, a Dodoplast está dispensando todos os seus empregados. O anúncio das demissões em massa foi feito pelo diretor administrativo, que, ironicamente, foi nomeado Embaixador da Paz no Togo pelo Presidente da República Togolesa.

Essa decisão unilateral da patronal tem sido fortemente contestada pelos trabalhadores afetados, bem como pelos representantes sindicais. O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Industrial do Togo, Issa Boukari, que representa os trabalhadores da Dodoplast, denuncia a ação do empregador como um ato de força. Ele explica que “a justificativa econômica é infundada e que o empregador está tentando escapar das obrigações relacionadas ao novo salário mínimo e à adesão à zona alfandegária após uma década de benefícios na zona franca”.

O dirigente afirma que está sendo encaminhada uma série de medidas para combater as demissões e chamar a atenção das autoridades para a situação dos trabalhadores na região.

A categoria se mantém em uma trégua de 72 horas, visando abrir espaço para negociações. Na próxima segunda-feira (17), acontecerá nova rodada de negociação com os empregadores e o presidente da associação de empresas da zona franca. Além disso, os trabalhadores estão planejando mobilizar todos os sindicatos da zona franca para um protesto de 48 horas nos próximos dias.

Uma das principais reivindicações da categoria é que os direitos legais dos trabalhadores sejam respeitados de acordo com as leis vigentes no país. Eles também buscam garantir a manutenção dos empregos desde a abertura da empresa e alertar as autoridades sobre a marginalização enfrentada pelos trabalhadores na zona franca. No entanto, eles reconhecem que as mudanças recentes no código de trabalho têm favorecido os empregadores, dificultando o sucesso de suas reivindicações.

Além das questões trabalhistas, o sindicato também destaca as condições precárias enfrentadas pelos trabalhadores. Durante os nove meses de licença, com meio salário, muitos funcionários acumularam dívidas e enfrentaram problemas financeiros. Infelizmente, quatro mortes relacionadas à depressão foram registradas nesse período. A situação é particularmente alarmante para os idosos, cuja condição é ainda mais precária, afirmou Boukari.

Nesse contexto, o sindicato solicitou ajuda urgente à Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas para garantir o apoio às crianças dos trabalhadores afetados. O objetivo é assegurar que elas possam ter condições adequadas para o próximo ano letivo, que se inicia em setembro de 2023.

Enquanto os trabalhadores da Dodoplast enfrentam incertezas e lutam por seus direitos, a situação na zona franca do Togo está chamando a atenção para as questões trabalhistas e a precariedade enfrentada por muitos cidadãos togoleses. 

Apoiamos a luta dos togoleses mobilizados por políticas e práticas que garantam condições justas e dignas para todos os trabalhadores da região!

 

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