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Na Cúpula dos Povos, a Rede Sindical Internacional prepara uma intervenção classista e independente contra a COP30
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Na Cúpula dos Povos, a Rede Sindical Internacional prepara uma intervenção classista e independente contra a COP30

A RSISL participará da Cúpula dos Povos por meio de sua afiliada brasileira

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A poucos dias do início da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que será realizada em Belém (PA), delegações de todo o país se preparam para uma grande mobilização na capital paraense, em contraponto ao encontro oficial de governos e corporações capitalistas.

De 12 a 16 de novembro, trabalhadores, povos indígenas, quilombolas, camponeses, jovens, ambientalistas e ativistas de movimentos sociais e sindicais de todo o Brasil participarão da Cúpula dos Povos, evento paralelo que busca apresentar alternativas reais e coletivas à crise ambiental provocada pelo capitalismo.

A programação inclui atos, debates e diversas atividades, desde uma barqueata no primeiro dia até plenárias, assembleias, oficinas e um festival cultural. No dia 15 de novembro, está prevista a Marcha Global dos Povos pelo Clima, que deve reunir cerca de 15 mil pessoas.

A participação da Rede Sindical Internacional

A Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas (ILNSS) participará da Cúpula dos Povos por meio de sua afiliada brasileira, a CSP-Conlutas, apresentando uma perspectiva classista e anticapitalista que denuncia os interesses corporativos por trás da falsa narrativa de “transição verde”. A intervenção exporá não apenas a hipocrisia das potências imperialistas, mas também dos governos de Lula da Silva (Brasil), Helder Barbalho (Pará) e Igor Normando (Belém).

No dia 13 de novembro, a CSP-Conlutas e entidades filiadas realizarão um painel com o tema “A COP30 é um mecanismo do capital para legitimar a destruição da Amazônia e do planeta”, com a presença de Osmarino Amâncio (seringueiro), Erasmo Theófilo (camponês), Raquel Tremembé (liderança indígena), Sueidy Marília Ferreira (movimento de mães contra a violência policial no Pará), além de lideranças quilombolas, ribeirinhas e operárias.

No dia 14, ocorrerá a Plenária pela Reparação dos Povos Indígenas Vítimas dos Crimes da Ditadura, organizada pelo professor Gilberto Marques, em defesa da memória e da justiça histórica.

No dia 15, durante a Marcha dos Povos pelo Clima, a CSP-Conlutas se concentrará no Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém, categoria que realizou uma forte greve este ano nas obras da COP30, denunciando o contraste entre os bilhões destinados às empreiteiras e a precarização do trabalho.

Metas climáticas dos governos são insuficientes

As mobilizações ocorrem num momento em que o discurso climático oficial é desmascarado. Em 28 de outubro, o Secretariado da ONU para Mudanças Climáticas divulgou o Relatório Síntese das NDCs 2025, mostrando que os compromissos atuais levariam a uma redução de apenas 17% das emissões até 2035, quando a ciência aponta a necessidade de pelo menos 60%. Grandes poluidores como União Europeia e China sequer apresentaram suas metas.

Esses dados confirmam que a COP30, realizada sob o governo Lula, em parceria com petroleiras e o agronegócio, será mais uma vitrine para discursos sobre “economia verde” e “transição justa”, legitimando a continuidade do modelo capitalista predatório.

“Enquanto o governo se apresenta como líder climático, Lula autoriza a exploração de petróleo na Margem Equatorial e mantém subsídios ao agronegócio”, afirmou Atnágoras Lopes, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

“A verdadeira saída está nos povos da floresta e na classe trabalhadora. Em Belém, levantaremos nossas bandeiras pela defesa da Amazônia e contra esse modelo capitalista que destrói o planeta”, completou Rosi Pantoja, da direção estadual da CSP-Conlutas no Pará.

 

Foto: João Paulo Guimarães / Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

 

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