Réseau Syndical International de Solidarité et de Luttes


vendredi, 23 juin 2017

 
 

 

Conheça a Rede

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A crise do sistema capitalista e suas consequências em todo o mundo : as crises econômica, financeira, ecológica e social se atrelam e se autoalimentam. Essa crise global do capitalismo mostra o impasse de um desenvolvimento baseado na distribuição cada vez mais desigual das riquezas produzidas, a desregulamentação financeira, o livre comércio generalizado e o desprezo pelos imperativos ecológicos.

Para salvar os lucros dos acionistas e proprietários, para garantir o futuro dos bancos, instituições globais (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização Mundial do Comércio, etc.), governos e patrões atacam cada vez mais pesadamente os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

O atual sistema econômico e político organiza o saque a diversos países, obriga milhões de pessoas a deixarem sua terra natal para sobreviver... E depois nega todos os direitos com o pretexto deles e delas serem imigrantes.

Destruição dos serviços públicos, questionando todos os direitos sociais, ataque aos direitos sindicais, liberdades sindicais violadas, desenvolvimento da precariedade e do desemprego para pressionar as populações... Os métodos são os mesmos utilizados em todos os países !

Para chegar a seus fins utilizam todos os meios : criminalização, processos, prisões, intervenções policiais, ocupações militares, todas as formas de barreiras aos direitos coletivos e individuais. A repressão é uma de suas armas contra aqueles que resistem, que se opõem, que constroem alternativas. Nossa solidariedade, para além das fronteiras, é uma de nossas respostas.

O sindicalismo que reivindicamos não endossa pactos com poderes para validar as medidas anti-sociais. Reivindicamos o sindicalismo com a responsabilidade de organizar a resistência na escala internacional, para construir através das lutas a necessária transformação social.

Nosso sindicalismo visa derrubar o modelo de desenvolvimento econômico, social e político, baseado na hegemonia do lucro, finanças e competitividade. Nós queremos construir um sistema fundamentado nos bens comuns, sob a redistribuição das riquezas entre todos aqueles e aquelas que participam de sua criação, sob os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e sob um desenvolvimento ecologicamente sustentável.

Nós reivindicamos a extensão, democratização e apropriação social dos serviços públicos (educação, saúde, transporte, energia, água, moradia, etc). A livre circulação de pessoas e igualdade de direitos sociais e políticos de todos e todas, independente da nacionalidade, da origem, do sexo, fazem parte dos nossos objetivos em comum.

Nosso sindicalismo alia a defesa dos interesses imediatos dos trabalhadores e trabalhadores, e a vontade de mudança social profunda. Ele não se limita ao campo de reivindicações econômicas, ele engloba assuntos como o direito a moradia, à terra, igualdade entre homens e mulheres, conta o racismo, pela ecologia, contra o colonialismo.

Os interesses que nós defendemos são aqueles da classe trabalhadora (trabalhadores e trabalhadoras em atividade ou aposentados, desempregados e desempregadas, jovens em formação). Eles se articulam com os interesses dos povos de todas as regiões do mundo. E nós nos posicionamos frontalmente contra os patrões, os governos e instituições que estão a seu serviço, e nós reivindicamos nossa autonomia diante de qualquer organização política.

As organizações sindicais internacionais existentes ; as redes sindicais foram criadas sob os campos profissionais ou geográficos. De uma região do mundo para a outra, nossas historias sindicais, nossas estruturas sindicais, nossas filiações sindicais, são diferentes. Mas nós compartilhamos o que é essencial : estamos determinados e determinadas a avançar na coordenação de um sindicalismo de lutas no plano internacional.

Nós não nos proclamamos como uma nova organização sindical internacional. Nós decidimos fortalecer, ampliar, tornar mais eficaz, uma rede de sindicalismo ofensivo, democrático, autônomo, alternativo, feminista, internacionalista.

Nós queremos compartilhar nossas experiências, enriquecê-las com resistências e a conquistas de todos e todas, construir a unidade para além das fronteiras, implementar a solidariedade internacional dos trabalhadores e trabalhadoras. Diante da crise que atinge as populações de todos os países e que o capitalismo é responsável, é necessário coordenar e unificar nossas lutas. Fazemos um chamado aos coletivos sindicais para se juntar a nós para construir essa unidade de ação sindical, necessária para combater os recuos sociais, conquistar novos direitos e construir uma sociedade diferente.

Nós não lutamos para voltar atrás. Certamente, os ataques à classe trabalhadora são muito fortes e por vezes vem sob novas formas. Mas a exploração capitalista não é uma novidade e é com ela que devemos romper, para criar formas de organizar a sociedade com base nas necessidades da população.

Vamos construir passo a passo essa abordagem, junto de todas as organizações sindicais de luta, porque o sistema capitalista não é um modo de organização intransponível para nossas sociedades, construir e mudar através de lutas coletivas cotidianas e reflexões diárias sobre a sociedade que almejamos para o amanhã.

Depois do encontro internacional de março de 2013, nós temos metas concretas, compromissos compartilhados. Juntos os definimos e juntos iremos fazer :

 Nós agiremos em longo prazo por meio da solidariedade internacional, e notadamente contra todas as repressões anti-sindicais. Nosso combate é contra todas as opressões, notadamente as contra as mulheres.
Nós iremos intervir de maneira unitária e coordenada por apoiar as lutas e as campanhas internacionais pré-existentes, afirmando o direito à autodeterminação dos povos : apoio ao povo Palestino e Sahrawi, o reconhecimento do sindicalismo autônomo nos países do Maghreb e do Oriente Médio, contra a ocupação militar no Haiti, contra os tratados europeus que impõem austeridade, pelo direito de todos os povos a decidir seu futuro.
Fortaleceremos e ampliaremos o trabalho internacional realizado em setores profissionais (transporte, educação, call center, industria, comercio, saúde, etc) e sob as questões interprofissionais (direito das mulheres, imigração, moradia, ecologia, saúde, trabalho, etc) ; desde já, o trabalho se organiza entre vários desses setores, e tal animação é apoiada por sindicatos nos nossos diferentes países.
 Nós continuaremos o trabalho de reflexão e elaboração sobre as questões da crise do sistema capitalista e as alternativas a esse sistema.
 Enfim, nós compartilharemos os meios materiais e necessários para realização dos nossos projetos em comum : websites, listas de trocas por email, coordenação por setores profissionais, etc.