Red Internacional de Solidariedad y de Luchas


Viernes, 17 de noviembre de 2017

 
 

 

DECLARAÇÃO DO 1º ENCONTRO DAS AMERICAS DA REDE SINDICAL INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE E LUTA

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Os trabalhadores ainda vivem os reflexos de uma das maiores crise do capitalismo mundial aberta em 2007. A situação continua marcada por um ataque sem precedentes ao nível de vida dos trabalhadores, para salvar os lucros dos banqueiros e grandes empresários. O imperialismo e as burguesias desatam uma guerra social derrubando salários, renda, direitos, aumentando a pobreza e a desigualdade.

Também é importante chamar a atenção à questão ambiental. Com o abandono por Trump do Acordo de Paris as consequências ao meio ambiente se tornam cada vez mais preocupantes. Evidentemente o Acordo de Paris é um remendo extremamente limitado. Os compromissos adquiridos pelos governos (inclusive Obama) nem sequer chegavam a um objetivo mínimo. A ruptura de Trump só faz colocar a luz do dia o desastre ambiental causado pelo capitalismo como um todo.

O imperialismo norte-americano e a resistência às reformas e aos planos neoliberais na América Latina

A eleição de Donaldo Trump nos EUA, um populista de direita, é expressão da crise mundial e das contradições do próprio capitalismo. Não era o candidato preferido da burguesia americana, já nasceu questionado e enfrenta fortes resistências em todo o mundo. A eleição de Trump, entre outras coisas, é expressão de uma forte rejeição das massas aos dois grandes partidos burgueses (Republicano e Democrata).

Apesar disso, não se pode desprezar que o resultado eleitoral colocou na presidência dos EUA um populista de direita, que abusa de uma retórica xenófoba, racista, machista e de “nacionalismo imperialista”. A tendência é que a situação no interior dos EUA e também na sua relação com o resto do mundo se polarize ainda mais.

A sua campanha teve como um dos temas centrais a questão anti-imigração e chegou ao extremo ao anunciar que o muro na fronteira com o México seria construído e que seria pago pelo Estado Mexicano e que o NAFTA seria revisto para estabelecer condições ainda mais vantajosas para as corporações americanas.

A crise econômica atingiu em cheio a América Latina a partir de 2013, que, de conjunto, teve uma retração de 2,4% do seu PIB em 2016. Isso foi diretamente influenciado pela desaceleração da economia chinesa, porque diminuíram os investimentos da burguesia chinesa e também se findou o boom das commodities em 2011. A Venezuela e o Brasil foram particularmente atingidos. A previsão para 2017 de diferentes órgãos e institutos é de uma recuperação frágil da América do Sul, apontando para um crescimento de cerca de 0,9% do PIB.

A política do imperialismo segue sendo a ampliação da dependência dos países da América Central e do Sul de recuperar a economia dos países imperialista, ampliando o processo de colonização, através do controle das economias nacionais pelos grandes transnacionais e com a destruição sistemática das produções nacionais e assim vendendo seus produtos nos mercados dominados, pela intensificação do endividamento dos países e dos planos de ajustes contra os trabalhadores.

No terreno político também houve mudanças no continente. Existe desgaste e crise que atinge desigualmente a maioria dos governos do continente. Os governos de conciliação de classe como na Argentina (Kirchner), Paraguai (Lugo) e Brasil (Dilma Roussef) que aplicaram esses planos neoliberais entraram em crise acabaram sendo substituídos por governos burgueses tradicionais. Todos governos burgueses que assumem dão continuidade à guerra social contra os trabalhadores: rebaixar salários, retirar direitos e avançar em maior submissão dos países e do continente ao imperialismo.

Do México a Argentina, não importando qual o tipo de governo a receita sempre foi a mesma: ajustes e cortes de verbas para pagar as dívidas, privatizações e reformas estruturais (trabalhista, previdenciária e educacional).

Essa situação econômica se combina com um forte processo de mobilização. Nos últimos dois anos, em diversos países ocorreram greve gerais como no México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil e Guiana Francesa e diversas mobilizações no Peru, Chile, El Salvador, Costa Rica, Colômbia, Haiti e com destaque para o Paraguai em que os manifestantes incendiaram o parlamento. Os trabalhadores saíram às ruas para protestar contra os planos de ajustes e por melhores condições de vida.

Também houve massivas mobilizações por direitos democráticos e contra repressão e tentativas de criminalização aos movimentos sindicais e sociais, como as denúncias contra o assassinato dos 43 estudantes de Ayotzinapa no México, pela aparição com vida de Santiago Maldonado, a liberdade para Rafael Braga, a luta do povo negro contra violência policial nos EUA e os ataques aos povos originários em nosso continente.

Em 2017, as lutas pelos direitos das mulheres também foram destaque. O ano foi aberto com uma gigantesca mobilização contra Trump, nos EUA. As mobilizações por “Ni una menos” iniciadas na Argentina, ecoaram em toda América Latina e ajudaram a impulsionar massivas mobilizações no 8 de março. A luta pelas condições de trabalho e contra a violência às mulheres tornou-se pauta dos trabalhadores, demonstrando a necessidade de aliar a luta contra o machismo no marco da luta contra a exploração.

No Brasil teve importante destaque a mobilização dos trabalhadores contra as reformas trabalhistas e previdência com a greve geral, as manifestações nos estados e a grande manifestação em Brasília - o #OcupeBrasilia que reuniu cerca de 150 mil pessoas pelo Fora Temer e contra o congresso corrupto. Também teve destaque a luta do movimento popular, dos quilombolas, indígenas e trabalhadores do campo em defesa da Amazônia e dos territórios povos originários.

Desde 2004 a ONU levou à frente uma ocupação militar no Haiti, nomeada de Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah na sigla em francês), com a vergonhosa participação de tropas latino-americanas sob comando brasileiro. Essa ocupação está terminando agora, depois de inúmeras denúncias de assassinatos, invasão de bairros populares, repressão a greves operárias, estupros e contaminação do país pela cólera, mas deixou um governo submisso e com forças repressivas, além de uma presença controlada pelas embaixadas dos países imperialistas (EUA, França, Canadá, etc).

A Venezuela é o país que mais foi afetado pela crise internacional. A queda do preço do petróleo impactou a economia do país e há uma situação dramática no país, em que os trabalhadores recebem um salário mínimo de 15 dólares mensais. Eles são consequência da política de manutenção de submissão ao imperialismo, apesar do discurso anti-EUA, com a manutenção do pagamento da dívida externa e aplicação dos planos imperialistas. Os trabalhadores venezuelanos não podem confiar no governo ou na oposição de direita, é preciso construir uma alternativa independente, um campo de classe ao governo Maduro e à MUD. Estamos em defesa do povo venezuelano, contra todos os ataques às liberdades democráticas e contra os planos de ajustes contra os trabalhadores. Para isto, a mobilização autônoma do povo e dos operários, em particular, é imprescindível.

A questão da imigração também ganhou destaque. Nos EUA a opressão sobre os imigrantes é parte fundamental da economia do país a partir da precarização e baixíssimos salários. A política de repressão na verdade está sobre a ótica do controle da oferta de mão de obra barata. No Brasil existe um processo parecido mas em menor escala com imigrantes do Haiti, Venezuela, Bolívia e de nações africanas. Latifundiários, a agroindústria, grandes empresas e maquilas, se aproveitam da fragilidade legal para oprimir e até submeter trabalhadores imigrantes a condições de escravidão.

Estamos diante de um importante processo de retomada das lutas e de uma forte resistência aos planos imperialistas no continente. Por isso, seguimos com o compromisso de construir e fortalecer a unidade internacional dos trabalhadores para lutar contra a criminalização dos movimentos sociais, os planos de ajustes, reformas e privatizações, contra toda forma de opressão exploração.

Construir a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Luta nas Américas


A ausência de alternativas de direções independentes tem cobrado o seu preço. A resistência heroica dos trabalhadores e dos povos, esbarra nos limites dos programas e alianças construídas pelas direções dos diversos processos. As burocracias sindicais agrupadas na CSI (Confederação Sindical Mundial) e FSM (Federação Sindical Mundial) não nos representam.

A constituição da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, em 2013 e o seu segundo encontro realizado no Brasil em 2015 foram importantes passos para consolidar a ambiciosa tarefa de reunir o sindicalismo alternativo e combativo a nível internacional.

A construção e afirmação da RSISL (Rede) é muito importante, num mundo de economia cada vez mais globalizada, com necessidade de enfrentamentos unificados às empresas e a uma burguesia que tem seus negócios “internacionalizados”, o que exige o desenvolvimentos de ações de solidariedade ativa, ações e campanhas coordenadas mundialmente, seja por categorias, setores, países, continentes. A cada uma dessas lutas objetivas é nosso dever dar a elas o sentido estratégico da luta contra o capitalismo.

As entidades presentes no 1º Encontro das Américas da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Luta declaram através desta carta o esforço na construção desta ferramenta internacional combativa e independente com a discussão e aprovação em suas instâncias em seus países. Para isso, nos propomos:

- a construir uma equipe nas américas aberta, com reuniões por Skype a cada dois meses;

- apoiar as lutas locais e nacionais dos sindicatos participantes da Rede;

- defender esses sindicatos dos ataques e repressão dos governos e das burguesias locais;

- construir encontros setoriais da Rede a nível global;

- desenvolver seminários de formação de uma concepção de sindicalismo classista, independente dos governos e com funcionamento apoiado na democracia operária;

- desenvolver um trabalho coordenado e unificado com setores do movimento popular.

Também todas as entidades presentes se comprometem a fazer esforço político e financeiro para garantir a representação de entidades de nosso continente ao encontro mundial da RSISL que ocorrerá nos dias 25, 26, 27 e 28 de janeiro de 2018 em Madri.

A esta declaração se adjunta um plano de ação comum e diversas moções apresentadas pelas entidades e outras campanhas aprovadas. (As moções estão em processo de tradução e em breve serão publicadas)

São Paulo, 17 de outubro de 2017